Amor sem intimidade

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Eu e minha irmã

Amor sem intimidade. Foi nessa frase que cheguei ao me deparar com algumas histórias de família, ao lidar com algumas lacunas que habitam na criança dentro de mim.

Percebi que na minha história teve e tem amor, mas em muitos momentos faltou intimidade.

A intimidade que faz o riso ser sincero e o choro ser possível, a intimidade que deixa você dizer a verdade, ainda que ela seja feia.

A intimidade que permite pedir um abraço no dia mau, e todos nós passamos por dias maus, mas quantos de nós não ficamos sem o abraço?

A intimidade que consegue sentir na profundidade as batidas do coração do outro, e discernir, naquele momento, qual música ele toca.

Quantos de nós se contentam com o amor? E ele é bom, sim, claro que é bom. Porém o meu desejo mais profundo é ser conhecida, entendida, compreendida, aceita, acolhida; pertencente! Esses elementos precisam da intimidade para acenderem.

E eles acontecem também na intimidade com o Criador.

Falam que de nossas feridas vem nossas potencialidades, então eu quero ser uma pessoa onde se é fácil ser íntima, quero lutar pela conexão, não quero ter medo dela. E deixar ela vir no abraço inesperado, na lágrima acolhida, nos olhares que se cruzam à mesa.

E se eu puder dizer algo seria para amar intencionalmente, mas também amar intimamente, não tendo medo das conversas diretas e profundas. Porque eu também não quero ter medo delas!

Agradeço por ter encontrado um espaço para intimidade, e como ele me preenche por inteira.

Mas continuo na busca pelo amor com mais intimidade, hoje, amanhã e acredito que pra sempre.🧡

Perfeitamente Humana

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Jardim Botânico de Curitiba

Às vezes vem o grande sentimento de inadequação. Como se eu tivesse nascido no lugar errado, na família errada, sabe? Como a flor plantada num vaso bem feio. Como se tudo sobre mim fosse inadequado, estranho e de novo errado.

Bate aquela grande síndrome da rejeição. Eu sei bem desde quando ela me acompanha, já falei sobre ela tantas vezes. Antes de nascer ela já exista em mim…Como isso é possível?

Não sei explicar cientificamente. Não, cientificamente eu não sei. Mas já existia, essa síndrome que me diz que não sou boa o suficiente, que a cor da flor quem sou não se pode ser. Vem as dúvidas e os questionamentos.

E então eu percebo que não são só meus. Não sou só eu que os sinto sozinha, talvez seja eu quem mais fale sobre eles. Talvez seja eu que abra o peito e fale a verdade, mas eu os escuto também em tantas outras histórias. E ao escutar no outro, eu olho pra mim.

E penso que não, não posso aceitar que a minha cor não seja boa. Ela é boa sim, ela é minha, e só minha. Ela é linda. Ela cabe nos vasos que escolhem olhar todos os seus detalhes, e se apaixonam por cada pétala.

Não! Ela não é perfeita, e nunca será, mas ela será Perfeitamente Humana.

Perfeitamente amada, perfeitamente aceita, perfeitamente livre.

Porque tudo isso ela já foi. Que privilégio meu escutar tantas histórias e poder dizer: Não se preocupe, no meu jardim você cabe perfeitamente, e conheço outro Alguém que também diria o mesmo! Nesses momentos então só agradeço, porque me lembro, e relembro que tenho jardins onde também me desejam perfeitamente.🧡😊

O Encontro

Está naquele olhar que te segura, sabe?

Que não te deixa cair no vazio de si mesmo.

É um encontro inesperado, que invade nosso coração no lugar mais sagrado, no lugar de amor.

Vem como um beijo do sol de outono.

Como um abraço apertado que quase te deixa sem ar,

como um riso solto, um cafuné sentido na alma…

É uma surpresa, mas daquelas surpresas que nos fazem tão bem, que a queríamos todos os dias.

Ah que gostoso esse encontro!

Que gostoso é quando os olhares não estão nas telas, mas se não encontram de verdade, na vida.

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Tarde do sol de outono 12/06/2019

O que eu esqueci

Entre ontem e hoje esqueci meu guarda-chuva e meu óculos em dois lugares diferentes.

Poderia ficar brava, decepcionada comigo mesma, poderia me criticar  me chamar de esquecida.

No entanto consigo reconhecer que estou cansada, e que talvez eu não precise mesmo do meu guarda-chuva.

Talvez eu precise ficar mais exposta, me deixando molhar com as gotas novas do céu, talvez eu precise parar de me proteger tanto e me permitir correr nessa chuva sem reservas, qualquer que seja ela. 

O meu óculos, o meu querido óculos, me ajuda a enxergar longe, mas talvez também nesse momento eu não precise ver lá, lá longe.

Talvez eu esteja precisando enxergar perto, e isso a gente faz com os olhos do coração, e esses não precisam de óculos não.

Acho que afinal foram essas coisas que tinha esquecido, mas hoje me lembrei.


#reflexõesdaDane #oqueesqueci

 

 

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Natal e suas angústias – divagações pessoais

Sexta-feira à noite, entro dentro de um dos últimos trens saindo da estação Brás, são 23:55.

Tinha acabado de sair de um jantar de agradecimento, super especial, para voluntários de 50 ONGs que trabalham na área social.

Estava ainda imersa por aquela atmosfera de fé, esperança e amor contagiante.

Sentada continuo pensando no que vivi, nos amigos que revi. Pessoas que sempre combino de combinar alguma coisa, mas no fim nunca nos encontramos. Amigos que trabalham em outras organizações, mas que tem os mesmos sonhos, e que foi a primeira vez que os vi este ano, já em dezembro…

De repente o irmão de uma grande amiga, que é um tanto alternativo, me encontrou e sentamos juntos. Começamos a conversar sobre a vida, fazia tempo que também não o encontrava.

Ele começou a falar o tanto que o Natal é vendido, bastante inconformado com o comércio da data. Incomodado por termos aprendido somente sobre o nascimento de Cristo, com grande convicção dizia que não tinha nem sido em 25 de dezembro.

Ele sabe que sou Cristã.

Também não acredito que tenha sido dia 25, mas essa é a data simbólica que mais amo celebrar. É a época do ano que tenho tanta alegria de comemorar.

Fiquei pensando nas incomodações dele e na minha felicidade em comemorar a data. Pareceu-me paradoxal.

Claro que sei que este dia é importante para mim pois simbolicamente representa que Jesus veio, o meu maior presente de todos.

Também sei que a mídia ajuda a vender, faz tudo ficar lindo, as cores, o clima, e no fim estão interessados no lucro.

Mas esses dias do Natal ao Ano Novo também podem ser mágicos, eu comecei a pensar.

Sim são Mágicos!

São mágicos porque o mundo Ocidental ‘para’, as grandes cidades ‘param’ e finalmente você consegue ‘parar’ sua rotina agitada, não trabalhar tanto, e se encontrar de fato com as pessoas, com família e amigos.

Para alguns este momento é difícil. Para outros, como queriam poder estar mais perto da família, mas o dia a dia não permite.

Os encontros ficam para aqueles famosos:  “Um dia desses”,  “Vamos combinar”, “Semana que vem”… E nunca acontecem, mas no Natal, finalmente no Natal, temos um momento que não tem outra coisa na agenda, não tem outro compromisso mais importante que estar com aqueles do coração. Que podem ser muitos ou poucos, apenas aqueles que escolheu deixar no seu coração.

Crescendo numa família grande, eu sempre apreciei essa data, ainda que em muitos momentos, não me sentisse nada pertencente as reuniões Natalinas,  de  pelo menos 100 pessoas, que aconteciam nas casas dos meus tios paternos.

Mesmo me sentindo a inadequada, a perdida, a estranha; sempre tinha um lugar à mesa para mim, às vezes era o sofa, mas não importava, tinha um prato me esperando. Tinha um presente com meu nome. Alguém tinha pensado em mim!

Que gostoso lembrar disso, alguém tinha pensado em mim.

Lembrar que essa data se resume assim , alguém pensou em você e fez um convite para sentar-se à mesa. Se o prato é verde ou vermelho não importa, o presente tampouco,  nesse dia nada é mais importante do que este convite, o de se relacionar, olhar olho no olho e brindar o amor que ainda resta à mesa. Convite muito profundo e sincero, o mesmo convite que Cristo continua fazendo há 2 mil anos.

Hoje eu já fiz as pazes com minhas partes estranhas, esquisitas e inadequadas. Hoje eu gostaria muito de poder sentar à mesa outras tantas vezes com essa grande família.

E continuo amando o Natal porque nesse dia, pelo menos nesse dia,  isso se faz possível.

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Feliz Natal de uma família no Google 🙂

 

 

DaniEla

Ela é chamada de intensa, talvez seja culpa dos cabelos vermelhos.

Ela é chamada de socialmente inadequada, talvez seja a vontade tão grande de conexão.

Ela é chamada de sensível, talvez seja por conta das lágrimas que com frequência escorrem.

Ela é chamada de detetive, cheia de perguntas, talvez por deixar sua criança curiosa vir à tona.

Ela também é chamada de engraçada, por quebrar tantas expectativas.

A chamam de espontânea por sua sinceridade ingênua.

Disseram que ou você a ama ou você a odeia, não tem meio termo.

Ela tem medo de não ser amada, por tantas vezes já ter se visto só.

Ela tem medo de não ser aceita, por tantas vezes não se sentir pertencente.

Ela tem medo de ser chata, por tantas vezes que já ouviu que é.

Ela vive aqui.

Ela, Daniela.

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EU  12/08/2018

 

Um quarto

Fui andar num lugar bem desconfortável. Um lugar da minha alma que parecia não ter sido habitado.

Era escuro, gelado e úmido.

Tinha umas fotos, da minha infância, esquecidas no chão, e umas cartas de amor rasgadas e molhadas.

Tive medo de estar ali, mas aos poucos fui pegando as fotos nas mãos, elas me chamavam tanta atenção.

Fui entrando mais e andando devagar, me forçando a ficar ali. E foi ficando mais claro, meus olhos se acostumaram.

Percebi que bem lá no meio desse quarto tinha uma rachadura no teto, pela qual entrava um feixe de luz, de um sol intenso.

Algo me fez correr para lá, bem no meio, no centro, onde estava essa luz.

Olhei bem e vi que ali tinha terra, era pouco fértil e habitava lá um botão de rosa.

Ela era linda, mas precisava de mais carinho, cuidado e atenção.

Quando cheguei ali, parecia ter entrado num lugar sagrado. E minhas tantas emoções regaram aquela terra com as lágrimas que não contive.

Eu sorri.

Percebi que teria de ficar ali mais tempo e visitar aquele quarto outras tantas vezes.

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Queria fugir desse lugar, baby

Queria largar tudo e sair correndo.

Queria correr para longe, fechar a porta e nunca mais olhar para trás.

Queria sair de onde cresci e não voltar nunca mais.

Mas isso não é um bom sinal, não.

Isso quer dizer que ainda preciso voltar para aquela casa antiga e abrir uns cômodos velhos. Arrejar algumas coisas e jogar fora outras tantas.

E me permitir sentar nesse vazio.

Porque é só nesse vazio que a gente consegue ver o que ainda cabe e o que não pode mais entrar nessa morada.

É voltando por esse caminho que a gente  se reconstroi.

Não dá pra fugir o resto da vida.

No fundo ninguém quer esse título de foragido. Ninguém quer ser Jonas, não.

É gostoso correr, mas gostoso mesmo é quando a gente tem aonde parar e descansar.

Para isso é preciso ficar e criar raiz, e me disseram que isso leva um tempo…

E  assim, quando as asas quiserem bater e sair por aí, sempre saberão a direção de volta para casa.

E nesse voar terão muito amor e gratidão.

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O Homem por quem me apaixonei

Achei que ele fosse diferente.

Pensei que fosse do tipo acolhedor e sério, que busca o amor mais intenso e o encontro de almas.

Queria que ele também gostasse de usar roxo, e que também quisesse seguir a corrente boiando. (Entenda essa referência aqui.)

Queria que ele não deixasse a mochila dos pesos de expectativas da família sufocá-lo, enquanto tenta subir a montanha da Prata, para ao chegar do outro lado, perceber que com todo aquele tempo, a prata já escureceu.

Queria que ele percebesse que podia ir mais alto, mais alto do que o próprio teto que construiu para si.

Queria que ele também concordasse que um sorriso no rosto e a alma lavada, no fim do dia, valem mais do que um grande salário no fim do mês.

Queria mostrar para ele a menina dançando, o algodão doce rosa e a pipa voando no céu; mas ele nada conseguia enxergar pela tela do celular.

Queria, e como queria, que ele também acreditasse que nós DOIS poderíamos andar no mesmo caminho e viver no mesmo piso.

Gostaria que ele tivesse me tirado para dançar, mas quando olhei para o lado, ele não estava mais lá, porque no fim ele nunca existiu!

Então continuo na pista.

Ps: Esse texto é meu para todas as amigas e amigos que já criaram um mundo de expectativas e se apaixonaram por uma ilusão, quem nunca, né? Só sei dizer – ‘Eu também’, e acho que isso é o suficiente.

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Tons de Azul

No final do ano passado assisti um clipe que me deixou fascinada pelo oceano, ele foi totalmente gravado no mar. (As imagens são fascinantes, aqui o link desse vídeo). Todas as imagens e sensações me fizeram pensar.

Você já tentou, com o seu corpo, conter a água?

Já tentou entrar no mar e segurar com suas mãos ou pés aquela água que estava ali? Impossível, não?

Fico fascinada pela imagem do Oceano. Quando paramos numa encosta e olhamos para o mar, só vemos sua imensidão e o horizonte.

Esse gigante de água que não conseguimos marcar nem o começo nem o fim. Que é um mistério ainda em sua profundidade e seus esconderijos de seres vivos tão lindos.

Elemento tão vivo, tão descontrolado, e ao mesmo tempo com tamanha ordem e harmonia. Olhamos para ele fascinados e também o tememos.

Ninguém consegue pará-lo, ninguém pode contê-lo. Tentamos construir barreiras, piscinas feitas com as mãos,  para tê-lo seguro por um tempo, mas a força dele não cabe numa parede de concreto.

Tentamos adormecê-lo, anestesiá-lo.

Fazemos isso comendo demais, assistindo TV demais, Netflix sempre ligado, bebida na mão e cigarro no bolso.

Tentando ao máximo não pensar, não entrar nesse mar.

Ficar só na areia. Virar para o outro lado, e não enxergá-lo. Até o próximo tsunami…

Tamanha sua força vital, a onda não pode ser parada. Não pode ser contida, da mesma forma algumas pessoas também não;

e que refrigério saber que existem pessoas que são como o oceano. Que entram nele, se jogam e vão embora com ele. Se tornam ele. Carregam essa força vital em si, e escolhem seguir navegando.

Pena saber que com nossos descuidos da sociedade moderna o Oceano está em perigo e pessoas assim também.

ps: Parte da série de texto TONS. Veja aqui Tons de cinza e Tons de verde.